Linha de Passe
São Paulo, homenagem que fica. A fotografia estupenda lança a metrópole na tela, projetando suas grandes avenidas, sua beleza sem fim, seu cinza poético em meio às motos, aos carros e aos ônibus. Veículos que rasgam a metrópole em meio ao calor, ao frio, os arranha-céus e suas baixas umidades.
Esse filme caracteriza uma maturidade de trabalho e uma destreza de narrativa que creio que só seja possível com a prática aliada a lucidez peculiar dos gênios.
Walter Salles é competente e fez um filme para estourar bilheterias passando muito longe, mas muito longe mesmo de tudo que é apelativo, piegas ou óbvio.
Ele acerta nos atores, nas histórias, nas seqüências, nos ritmos das cenas. O filme chega para ficar e marcar de maneira indelével a história do cinema. E não falo só de cinema nacional.
A história dos adolescentes não pertence apenas aos garotos da zona leste, mas a todos os garotos de São Paulo. Suas tribulações, suas investidas e seus mundos.
Homenageia de modo especial a maior cidade do país, homenageia o futebol, homenageia o ser humano, a vida em sua abundância e, principalmente o espectador que pode assistir um trabalho primoroso que faz sentido, é palpável e gostoso de acompanhar.
Escrito por henriquesilveira2008 às 11h16
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